Avaliação comparativa dos fantomas ACR, CBR e TORMAM na garantia da qualidade em mamografia

Autores

  • Flavia adriana Reis Silva
  • Laila Fernanda Moreira Almeida Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear
  • Elaine Rodrigues Leite Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear
  • Gerusa Karla de Oliveira Silva Conselho Regional de Técnicos em Radiologia 3ª. Região
  • Rafaella Marina Souza Gomes Lopes de Oliveira Conselho Regional de Técnicos em Radiologia 3ª. Região
  • Maria do Socorro Nogueira Tavares Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear

DOI:

https://doi.org/10.70745/bjrtr.v2.171

Palavras-chave:

Mamografia, controle de qualidade, fantoma mamográfico

Resumo

Resumo expandido

Introdução: O câncer de mama continua sendo uma das principais causas de mortalidade feminina no mundo. A mamografia é fundamental para a detecção precoce, favorecendo melhores resultados terapêuticos e redução da mortalidade [1]. Sua eficácia depende de programas rigorosos de controle de qualidade, que assegurem precisão e confiabilidade das imagens [2]. Fantomas, como ACR (American College of Radiology), CBR (Colégio Brasileiro de Radiologia) e TORMAM, são empregados para avaliar o desempenho dos sistemas mamográficos, reproduzindo fibras, calcificações e massas tumorais. A interpretação das imagens pode variar entre avaliadores, tornando essencial estudos comparativos para avaliar sensibilidade e consistência. Este estudo comparou os três fantomas por meio de imagens avaliadas por três observadores, contribuindo para a escolha adequada em programas de controle de qualidade.

Metodologia: Foram utilizados os fantomas ACR, CBR e TORMAM, contendo fibras, calcificações e massas com dimensões específicas. Para cada modelo, adquiriu-se uma imagem em mamógrafo digital adaptado (retrofit), com 25 kV e 63 mAs. As imagens foram avaliadas de forma independente por três observadores experientes, que registraram cada estrutura como “visualizada” ou “não visualizada”.

Resultados e discussão: O CBR apresentou o maior número de estruturas identificadas (17 fibras, 13 calcificações e 14 massas), seguido pelo ACR (16 fibras, 11 calcificações e 13 massas). O TORMAM teve desempenho inferior em massas (10 visualizadas), embora semelhante aos demais em fibras (16) e calcificações (12). A concordância entre observadores foi maior na identificação de fibras e menor para calcificações, especialmente no ACR. As diferenças observadas entre os fantomas refletem suas características construtivas. O TORMAM apresenta fibras mais finas (0,20–0,40 mm) e calcificações menores (0,063–0,354 mm), enquanto o ACR possui fibras de 0,40–1,56 mm e calcificações de até 0,16 mm, e o CBR fibras de 0,4–1,4 mm com calcificações de até 0,18 mm. Quanto às massas, o TORMAM  inclui estruturas de até 0,5 mm, o ACR até 0,25 mm, e o CBR de 9,5 a 2,0 mm, não contemplando massas ≤ 0,75 mm. Quando comparados aos valores de referência da norma — calcificações ≤ 0,32 mm, fibras ≤ 0,75 mm e massas ≤ 0,75 mm — o TORMAM se destaca por desafiar os limites regulatórios, permitindo uma avaliação mais sensível do sistema de imagem. Por outro lado, o ACR e o CBR apresentam dimensões mais próximas dos limites normativos, favorecendo maior consistência entre avaliadores. Esses resultados indicam que o TORMAM proporciona uma avaliação mais rigorosa do desempenho do sistema, enquanto ACR e CBR oferecem resultados mais consistentes.

Conclusão: O estudo mostrou que o fantoma CBR apresentou o melhor desempenho geral, seguido do ACR, enquanto o TORMAM representou um desafio maior na detecção, principalmente de massas. Além disso, a variação entre avaliadores foi mais evidente nas calcificações e massas, destacando a influência da percepção individual e a subjetividade na análise. Assim, conclui-se que a escolha do fantoma deve considerar não apenas a quantidade de estruturas visualizadas, mas também as dimensões simuladas e o objetivo da avaliação. O CBR e o ACR são adequados para rotinas de controle e verificação de conformidade regulatória, enquanto o TORMAM, por incluir estruturas menores, pode ser utilizado como complemento em avaliações mais detalhadas da performance dos sistemas mamográficos.

 

Biografia do Autor

Laila Fernanda Moreira Almeida, Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear

Mestre em Ciência e Tecnologia das Radiações, Minerais e Materiais pelo Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear - CDTN (2023 - 2025). Graduada no Curso Superior de Tecnologia em Radiologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (2019 - 2023). Foi Bolsista em Pesquisa e Desenvolvimento no Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear - CDTN (2023 - 2023). Realizou estágio extracurricular no Programa Estadual de Controle de Qualidade em Mamografia de Minas Gerais - PECQMamo pela Secretaria Estadual de Saúde/Vigilância Sanitária de Minas Gerais (2021-2023). Foi Aluna voluntária de Iniciação Científica no projeto "Cenário da Radiologia no Hospital Universitário Assistencial do SUS: Aplicação em Setor Mamografia de uma Nova Metodologia de Controle de Qualidade para Avaliação da Diferença de Contraste no fantoma ACR" (2022-2023). Extensionista Voluntária no projeto "Diagnostico por imagem informação, conscientização e proteção dos pacientes e indivíduos do público" (2022-2023). Experiência em estágio clínico/hospitalar na Radiologia Convencional do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (2021-2022), Mamografia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (2022-2022) e Radioterapia do Hospital Belo Horizonte (2023-2023). Membra da Comissão Técnica de Mamografia do Conselho Regional de Técnicos e Tecnólogos em Radiologia de Minas Gerais - CRTR 3 Região (2025 - Atual).

Elaine Rodrigues Leite, Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear

Graduada em Tecnologia em Radiologia pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com conclusão em 2022, também possui formação em Administração de Empresas pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC Minas), concluída em 2013. Atualmente, cursa o mestrado em Ciência e Tecnologia das Radiações, Minerais e Materiais no Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN), onde desenvolve uma pesquisa voltada à avaliação comparativa das eficiências quântica e dosimétrica entre os sistemas de mamografia digital direto e retrofit, com foco na qualidade da imagem e na segurança radiológica.Sua trajetória profissional é marcada pela integração entre a competência técnica na área radiológica e o olhar estratégico proporcionado pela formação em administração. Essa combinação fortalece sua atuação em contextos hospitalares e de pesquisa, permitindo uma abordagem mais eficaz na execução de procedimentos, no gerenciamento de rotinas e na busca por soluções que aliam qualidade técnica, eficiência operacional.

Gerusa Karla de Oliveira Silva, Conselho Regional de Técnicos em Radiologia 3ª. Região

Técnica e Tecnóloga em Radiologia, Cofundadora da AG Mama, que oferece consultoria e capacitação na área de mamografia, Atua como técnica em Mamografia no Hospital Orizonti e no Instituto Oncológico Ciências Médicas, Possui 20 anos de experiência em mamografia

Rafaella Marina Souza Gomes Lopes de Oliveira, Conselho Regional de Técnicos em Radiologia 3ª. Região

Técnica em radiologia pela Escola Novo Rumo e Tecnóloga em radiologia pela Faculdade Ipemed, Atua como técnica em Mamografia no Hospital Orizonti e no Instituto Oncológico Ciências Médicas, Atua há 12 anos realizando exames de mamografia, tomossintese e procedimentos feitos pela extereotaxia, Palestrante.

Maria do Socorro Nogueira Tavares, Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear

Possui graduação em Física pela Universidade Federal do Piauí (1987), mestrado em Física Aplicada À Medicina e Biologia pela Universidade de São Paulo (1991) e doutorado em Tecnologia Nuclear pelo Instituto de Pesquisa Energéticas Nucleares (1997). Atualmente é ativo permanente do Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear, outro (pesquisador) da Comissão Nacional de Energia Nuclear e pesquisador - orientadora da PG - Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear. Tem experiência na área de Física, com ênfase em Física Médica, atuando principalmente nos seguintes temas: dosimetria, radioproteção, controle de qualidade em mamografia, raios x diagnóstico e fisica médica, .

Publicado

10-03-2026

Como Citar

Reis Silva, F. adriana, Almeida, L. F. M., Leite, E. R., Silva, G. K. de O., Oliveira, R. M. S. G. L. de, & Tavares, M. do S. N. (2026). Avaliação comparativa dos fantomas ACR, CBR e TORMAM na garantia da qualidade em mamografia. Brazilian Journal of Radiation Technology Research (ISSN 2966-4292), 2(01). https://doi.org/10.70745/bjrtr.v2.171

Edição

Seção

Resumos do Congresso Nacional de Radiologia