Avaliação comparativa dos fantomas ACR, CBR e TORMAM na garantia da qualidade em mamografia
DOI:
https://doi.org/10.70745/bjrtr.v2.171Keywords:
Mamografia, controle de qualidade, fantoma mamográficoAbstract
Resumo expandido
Introdução: O câncer de mama continua sendo uma das principais causas de mortalidade feminina no mundo. A mamografia é fundamental para a detecção precoce, favorecendo melhores resultados terapêuticos e redução da mortalidade [1]. Sua eficácia depende de programas rigorosos de controle de qualidade, que assegurem precisão e confiabilidade das imagens [2]. Fantomas, como ACR (American College of Radiology), CBR (Colégio Brasileiro de Radiologia) e TORMAM, são empregados para avaliar o desempenho dos sistemas mamográficos, reproduzindo fibras, calcificações e massas tumorais. A interpretação das imagens pode variar entre avaliadores, tornando essencial estudos comparativos para avaliar sensibilidade e consistência. Este estudo comparou os três fantomas por meio de imagens avaliadas por três observadores, contribuindo para a escolha adequada em programas de controle de qualidade.
Metodologia: Foram utilizados os fantomas ACR, CBR e TORMAM, contendo fibras, calcificações e massas com dimensões específicas. Para cada modelo, adquiriu-se uma imagem em mamógrafo digital adaptado (retrofit), com 25 kV e 63 mAs. As imagens foram avaliadas de forma independente por três observadores experientes, que registraram cada estrutura como “visualizada” ou “não visualizada”.
Resultados e discussão: O CBR apresentou o maior número de estruturas identificadas (17 fibras, 13 calcificações e 14 massas), seguido pelo ACR (16 fibras, 11 calcificações e 13 massas). O TORMAM teve desempenho inferior em massas (10 visualizadas), embora semelhante aos demais em fibras (16) e calcificações (12). A concordância entre observadores foi maior na identificação de fibras e menor para calcificações, especialmente no ACR. As diferenças observadas entre os fantomas refletem suas características construtivas. O TORMAM apresenta fibras mais finas (0,20–0,40 mm) e calcificações menores (0,063–0,354 mm), enquanto o ACR possui fibras de 0,40–1,56 mm e calcificações de até 0,16 mm, e o CBR fibras de 0,4–1,4 mm com calcificações de até 0,18 mm. Quanto às massas, o TORMAM inclui estruturas de até 0,5 mm, o ACR até 0,25 mm, e o CBR de 9,5 a 2,0 mm, não contemplando massas ≤ 0,75 mm. Quando comparados aos valores de referência da norma — calcificações ≤ 0,32 mm, fibras ≤ 0,75 mm e massas ≤ 0,75 mm — o TORMAM se destaca por desafiar os limites regulatórios, permitindo uma avaliação mais sensível do sistema de imagem. Por outro lado, o ACR e o CBR apresentam dimensões mais próximas dos limites normativos, favorecendo maior consistência entre avaliadores. Esses resultados indicam que o TORMAM proporciona uma avaliação mais rigorosa do desempenho do sistema, enquanto ACR e CBR oferecem resultados mais consistentes.
Conclusão: O estudo mostrou que o fantoma CBR apresentou o melhor desempenho geral, seguido do ACR, enquanto o TORMAM representou um desafio maior na detecção, principalmente de massas. Além disso, a variação entre avaliadores foi mais evidente nas calcificações e massas, destacando a influência da percepção individual e a subjetividade na análise. Assim, conclui-se que a escolha do fantoma deve considerar não apenas a quantidade de estruturas visualizadas, mas também as dimensões simuladas e o objetivo da avaliação. O CBR e o ACR são adequados para rotinas de controle e verificação de conformidade regulatória, enquanto o TORMAM, por incluir estruturas menores, pode ser utilizado como complemento em avaliações mais detalhadas da performance dos sistemas mamográficos.



