Resumo Distribuição de Mamógrafos do SUS em Minas Gerais em 2024: Análise da Cobertura em Relação à População-Alvo
DOI:
https://doi.org/10.70745/bjrtr.v2.111Palavras-chave:
Mamografia, Sistema Único de Saúde, Minas Gerais, Distribuição geográfica, Equidade em saúdeResumo
A mamografia é considerada o método de referência para a detecção precoce do câncer de mama, possibilitando a identificação de alterações antes do surgimento de manifestações clínicas [1]. No Brasil, o rastreamento é recomendado para mulheres assintomáticas entre 50 e 69 anos, com periodicidade bienal, conforme as Diretrizes Nacionais do Instituto Nacional de Câncer (INCA) [2,3]. Entre 2023 e 2025, foram estimados 73.610 novos casos da doença no país, sendo 7.670 em Minas Gerais [4]. Nesse contexto, torna-se imprescindível avaliar a disponibilidade de mamógrafos no Sistema Único de Saúde (SUS), cuja organização se fundamenta nos princípios de universalidade, integralidade e equidade, orientando também a política nacional de rastreamento [5]. O presente trabalho tem como objetivo analisar a distribuição de mamógrafos vinculados ao SUS em Minas Gerais em 2024, relacionando a oferta de equipamentos à população-alvo. A pesquisa utilizou abordagem quantitativa baseada em dados secundários provenientes do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES/DATASUS) [6,7] e. estimativas populacionais obtidas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para o mesmo período [8]. Foram compiladas informações referentes a 853 municípios, organizados em 28 regionais de saúde, conforme a Resolução nº 9.224/2023 da Secretaria de Estado de Saúde [9]. Os indicadores avaliados incluíram o número de mamógrafos existentes no estado e os vinculados ao SUS, a razão de equipamentos por 100 mil mulheres, além das diferenças entre as ofertas regionais dos aparelhos públicos e existentes. Os resultados mostraram que, em dezembro de 2024, havia 293 mamógrafos do SUS em funcionamento, distribuídos em apenas 139 municípios, correspondendo a 16,3% dos equipamentos existentes. Considerando a população-alvo de 2.499.653 mulheres, a razão de oferta foi de 11,7 equipamentos SUS por 100 mil mulheres, enquanto os existentes alcançaram 24,0. A média por regional foi de 10,5 mamógrafos SUS, contra 21,4 equipamentos totais. A diferença média entre a oferta SUS e a existentes foi de 13,3 por 100 mil mulheres, revelando que quase metade dos equipamentos não estava disponível para o atendimento público. Em termos de distribuição, Belo Horizonte concentrou 21,3% dos equipamentos SUS, enquanto regionais como Januária, Pouso Alegre e Governador Valadares apresentaram as menores razões de cobertura, todas inferiores a 5 por 100 mil mulheres. Além disso, o percentual de mamógrafos destinados ao SUS em relação ao total variou significativamente, de 27,2% em Uberlândia a 83,3% em Pedra Azul. A análise evidencia que, apesar de Minas Gerais possuir número expressivo de equipamentos, a distribuição é heterogênea. Esse cenário pode comprometer a equidade e a integralidade no rastreamento mamográfico [2,3,5]. Contudo, a discrepância indica a necessidade de revisão das políticas de alocação de recursos, com vistas a garantir maior homogeneidade na cobertura e reduzir barreiras de acesso, tanto geográficas quanto econômicas. A reestruturação da rede de mamógrafos do SUS em Minas Gerais, acompanhada de planejamento regional integrado, é fundamental para assegurar justiça social e eficácia no controle do câncer de mama.



