Resumo Marie Curie em Belo Horizonte:uma leitura fenomenológica da aparência e do saber nos relatos de Pedro Nava

uma leitura fenomenológica da aparência e do saber nos relatos de Pedro Nava

Autores

  • Amanda Araújo Gonzaga Universidade Federal de Minas Gerais
  • Ana Laura da Rocha Oliveira Universidade Federal de Minas Gerais
  • Anita Maria Alves de Oliveira Universidade Federal de Minas Gerais
  • Carla Sena Gonzaga Universidade Federal de Minas Gerais
  • Adriana de Souza Medeiros Batista UFMG

DOI:

https://doi.org/10.70745/bjrtr.v2.90

Palavras-chave:

Marie Curie, Pedro Nava, Fenomenologia, Conselhos profissionais, Feminino, Ciência

Resumo

A visita de Marie Curie à cidade de Belo Horizonte, entre os dias 16 e 20 de agosto de 1926, permanece como um marco simbólico na história da ciência no Brasil. Mais do que uma presença institucional, sua passagem foi registrada com intensidade pelo médico e memorialista mineiro Pedro Nava, que, no quarto volume de suas memórias, Beira-Mar (1978), descreve com riqueza de detalhes a palestra proferida por Curie no anfiteatro da Faculdade de Medicina da UFMG. Este trabalho propõe uma análise fenomenológica dos relatos de Nava, com foco na construção social do conhecimento científico e da aparência feminina, buscando compreender como a figura de Marie Curie foi percebida e narrada em um contexto marcado por expectativas culturais e estéticas. A pesquisa tem como objetivo geral investigar, sob a perspectiva fenomenológica, os sentidos atribuídos à presença de Marie Curie em Belo Horizonte, conforme registrados por Pedro Nava. Especificamente, pretende-se analisar as descrições da aparência de Curie em contraponto à sua atuação intelectual, discutir os significados sociais envolvidos na recepção de uma cientista mulher em um ambiente acadêmico brasileiro da década de 1920, e refletir sobre como tais narrativas contribuem para a construção simbólica da ciência e da figura feminina no imaginário nacional. A metodologia adotada é qualitativa, com abordagem fenomenológica e documental. Fundamenta-se nos pressupostos de Husserl, Merleau-Ponty e Schutz, buscando compreender os sentidos atribuídos à presença de Marie Curie a partir da experiência vivida e narrada por Pedro Nava. O livro Beira-Mar (1978) é utilizado como documento histórico e cultural, cuja análise permite acessar percepções sociais sobre ciência e feminilidade no Brasil da década de 1920. A fonte principal é o relato de Nava, especialmente o trecho em que descreve Curie como “pequena de estatura”, vestindo “costume sebento”, com “mãos vermelhas maltratadas” e “botinas de salto baixo abotoadas só no botão de cima”. Apesar da ênfase na aparência desleixada, Nava ressalta que, ao ensinar, Curie “transfigurava-se” e suas palavras iluminavam o anfiteatro “como se passassem por suas paredes raios urânicos, centelhas radioativas e faíscas ferromagnéticas”. Os resultados apontam para uma tensão entre a expectativa estética e o impacto intelectual. A descrição da aparência de Curie revela um estranhamento cultural diante de uma mulher cientista que não se enquadrava nos padrões femininos convencionais da época. No entanto, esse estranhamento é superado pela força de sua presença discursiva, que transforma o espaço e os ouvintes. A transfiguração descrita por Nava sugere uma ruptura entre o corpo visível e o saber invisível, entre a aparência e a essência, revelando como a ciência pode reconfigurar percepções sociais e afetivas. A discussão evidencia que a visita de Curie, mediada pelas memórias de Nava, oferece um campo fértil para refletir sobre os modos como o conhecimento científico é socialmente construído e como a figura feminina é representada na história da ciência. No contexto brasileiro, marcado por desigualdades de gênero e por uma valorização tardia da ciência, a presença de Curie assume um papel simbólico de resistência e transformação. Sua imagem, ainda que inicialmente marcada por estranhamento, é ressignificada pela potência de sua fala e pela autoridade de seu saber. Conclui-se que a análise fenomenológica dos relatos de Pedro Nava sobre Marie Curie permite compreender como a ciência e a aparência feminina são entrelaçadas na construção de sentidos sociais. A visita de Curie a Belo Horizonte, mais do que um evento histórico, torna-se uma experiência vivida e narrada que revela os desafios e as possibilidades da presença feminina na ciência. Estudos futuros podem aprofundar essa abordagem em outros relatos e contextos, ampliando o debate sobre memória, gênero e conhecimento.

Biografia do Autor

Amanda Araújo Gonzaga, Universidade Federal de Minas Gerais

Estudante de Radiologia.

Ana Laura da Rocha Oliveira, Universidade Federal de Minas Gerais

Estudante de Radiologia.

Anita Maria Alves de Oliveira, Universidade Federal de Minas Gerais

Estudante de Radiologia.

Carla Sena Gonzaga, Universidade Federal de Minas Gerais

Estudante de Radiologia.

Publicado

12-03-2026

Como Citar

Araújo Gonzaga, A., da Rocha Oliveira, A. L., Alves de Oliveira, A. M., Sena Gonzaga, C., & de Souza Medeiros Batista, A. (2026). Resumo Marie Curie em Belo Horizonte:uma leitura fenomenológica da aparência e do saber nos relatos de Pedro Nava: uma leitura fenomenológica da aparência e do saber nos relatos de Pedro Nava. Brazilian Journal of Radiation Technology Research (ISSN 2966-4292), 2(01). https://doi.org/10.70745/bjrtr.v2.90

Edição

Seção

Resumos do Congresso Nacional de Radiologia