Resumo Análise da formação em Radiologia no Brasil e Portugal
DOI:
https://doi.org/10.70745/bjrtr.v2.79Palavras-chave:
Formação em Radiologia;, Portugal, BrasilResumo
A história da Radiologia começou em 1895 com a descoberta experimental dos raios X pelo físico alemão Wilhelm Conrad Röentgen e permitiu futuramente visualizar o interior de pacientes sem utilizar técnicas invasivas. O primeiro curso de radiologia no Brasil, foi fundado em 1916 na Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro e sua grade consistia em 30 aulas teórico-práticas. Atualmente, a formação em Radiologia no Brasil é composta por dois perfis distintos: a formação Técnica, de nível médio, e a Superior, na modalidade Tecnológica. Apresentar sucintamente a formação em Portugal (Superior / Licenciatura).
Este trabalho teve como objetivo levantar e analisar comparativamente a formação dos profissionais da radiologia correlacionando os países de língua portuguesa, Brasil e Portugal.
A metodologia desse trabalho consistiu em realizar uma análise qualitativa e descritiva, a partir do levantamento das grades curriculares dos cursos ofertados no Brasil e em Portugal. Por meio da coleta sistemática dos dados, em três etapas, sendo elas: Definição da fonte de dados; coleta de informações detalhadas sobre a grade curricular das instituições portuguesas e brasileiras; análise; comparação e discussão dos resultados.
A Educação no Brasil é coordenada e formulada pelo Ministério da Educação (MEC), sendo a formação Técnica responsabilidade das Secretarias de Educação Estaduais (SEE-UF) e O MEC responsável pela formação Superior. A formação Técnica em Radiologia possui carga horária mínima de 1.200 horas e 400 horas de estágio curricular obrigatório. A formação Superior Tecnológica possui carga horária mínima de 2.880 horas incluindo o estágio curricular obrigatório. Ambos os níveis possuem disciplinas teórico-práticas e abrangem a área da saúde, sendo o Técnico fundamentalmente no Radiodiagnóstico e o Superior nas demais modalidades da Saúde, Medicina Nuclear e Radioterapia, bem como a área industrial, e pesquisa cientifica.
Em Portugal, a Educação é fiscalizada pela agência de avaliação e acreditação do ensino superior (A3ES), órgão equivalente ao MEC e apenas oferta formação superior em Radiologia, denominada Licenciatura de Imagem Médica e Radioterapia. O curso possui o total de 240 ECTS, um sistema de créditos europeu equivalente à conversão de créditos em horas brasileiro, ofertados em disciplinas teórico-práticas. Um diferencial entre o cenário dos dois países consiste na elaboração e apresentação do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) tradicional no Brasil, mas que não ocorre em Portugal.
A análise comparativa revela um ponto de discussão crucial sobre a mobilidade profissional entre o Brasil e Portugal, especialmente no que tange a especialização não clínicas. No Brasil, tanto a formação Técnica quanto a Superior em Radiologia direcionam o processo fundamental de formação profissional para o setor da saúde. Embora isso ocorra, a grade curricular brasileira apresenta disciplinas que permitem que o estudante amplie o seu campo de formação, por exemplo, para o setor industrial. Em contrapartida, a Licenciatura em Imagem Médica e Radioterapia em Portugal é estruturada com foco restrito às aplicações em saúde. Essa realidade é possível a partir de análises das grades curriculares das instituições que ofertam o curso em território português e brasileiro. Um ponto importante a ser analisado é que o continente europeu foi o pioneiro no desenvolvimento industrial desde o século XVIII, sendo até hoje uma grande referência nessa área. Portanto, é curioso o fato de que a formação portuguesa não contemplar essa área, apesar de sua relevância econômica e tecnológica na Europa. Assim, pode-se inferir que ocorre a falta de alinhamento entre as formações acadêmicas e as necessidades de todos os setores do mercado de trabalho.



