Resumo Comparação e Avaliação das Doses Absorvidas em Tomografia Computadorizada Pediátrica: Análise da Conformidade com Níveis de Referência Diagnósticos
DOI:
https://doi.org/10.70745/bjrtr.v2.67Resumo
Tomografia Computadorizada (TC) é amplamente empregada na pediatria, principalmente em diagnósticos neurológicos e traumas. Por envolver exposição à radiação ionizante, exige considerar a radiossensibilidade infantil e riscos estocásticos. Nesse contexto, o princípio ALARA (As Low As Reasonably Achievable) é essencial para reduzir a dose ao mínimo valor possível sem comprometer a qualidade diagnóstica. Níveis de Referência Diagnósticos (NRDs) são ferramentas importantes para monitorar exames e ajustar protocolos contribuindo para otimização, de acordo com a International Atomic Energy Agency (IAEA) (2022). Neste estudo buscou-se analisar doses em TC pediátrica de um hospital universitário de Belo Horizonte (MG) comparando-as com NRDs internacionais. Trata-se de uma das ações do projeto “Cenário da Radiologia no Hospital Universitário Assistencial do SUS” (CAAE 71737417.9.0000.5149), vinculado ao projeto “Assistência na Radiologia: Aproximando as Vivências da Universidade, do Hospital Público e da Comunidade” (SIEX-UFMG 402801), desenvolvidos na Unidade de Diagnóstico por Imagem (UDI) do Hospital das Clínicas (HC-UFMG/EBSERH), Belo Horizonte. Dados foram extraídos do Digital Imaging and Communications in Medicine (DICOM) de dois aparelhos: PHILIPS INCISIVE (TC A) e CANON AQUILION (TC B). Foram coletados parâmetros técnicos CTDIvol, DLP, kV, mAs, pitch e número de séries. Doses coletadas (CTDIvol, DLP) foram comparadas com referências internacionais. Foram avaliados 1.025 exames de TC no primeiro trimestre de 2025. 27 pacientes estavam entre 0-19 anos, faixa etária pediátrica estabelecida pela Organização Mundial da Saúde. Entretanto, apenas 22 exames da faixa 0-11 anos foram incluídos na amostra, seguindo critérios da IAEA para faixa etária pediátrica utilizada para NRDs. Parâmetros técnicos coletados foram normalizados pelo número de séries de cada exame para comparação. O mAs variou: 1904,22±524,5042 (TC B) e 134,50±68,1889 (TC A), o kV permaneceu 120 kV, ambos. CTDIvol, parâmetro usado para definir NRDs, apresentou valores medianos mais elevados em TC B. Nos exames de crânio, os valores de CTDIvol mediano foram: 31,08, 22,66 e 38,56 mGy (TC A) e 42,6 e 37,1 mGy (TC B) nos grupos 0-01, 01-05 e 05-11. Valores superiores aos reportados por Satharasinghe (2021) (13, 16 e 19 mGy para os mesmos grupos) diferenças alcançaram até 139,1% (TC A) e 227,7% (TC B). Para tórax, apenas TC A apresentou dados, CTDIvol variou: 7,4-16,6 mGy (1-11 anos), valores mais elevados que o esperado. O Dose Length Product (DLP) reflete a dose total considerando área irradiada. Para crânio, mediana variou: 523,37-701,56 mGy.cm (TC A) e 815,45-881,3 mGy.cm (TC B) na faixa 0-5 anos, níveis elevados para faixa etária, (2021) aponta: 187-332 mGy.cm. Tórax, TC A, o DLP variou: 204,49-313,49 mGy.cm para 1-10 anos, acima dos valores encontrados por Satharasinghe (2021): 7-35 mGy.cm. A Dose Efetiva em mSv apresentou valores médios e desvios-padrões para crânio: 6,64 ± 4,65 mSv (TC A) e 5,21 ± 5,64 mSv (TC B). Tórax (TC A), valores foram: 3,53 ± 0,12 mSv e 1,97 ± 0,22 mSv nas idades 01-05 e 05-10 anos. Esses resultados evidenciam que, em pacientes mais jovens, a dose pode ser superior a valores apresentados por Obara (2017) : 5,1 ± 2,4 e 3,5 ± 2,6 mSv (crânio) e 0,94 ± 0,54 mSv e 0,8 ± 0,4 mSv, para idade 01 e 5 anos (tórax). TC B, que apresentou maiores valores, está em desativação, sendo necessárias novas avaliações para otimização e continuidade do estudo. Conclui-se a relevância do levantamento do CTDIvol e DLP frente às referências internacionais, a fim de ajustar protocolos às características etárias e individuais.



