Resumo PROPOSTA DE PROCEDIMENTO OPERACIONAL PADRÃO PARA REALIZAÇÃO DE MAMOGRAFIA EM PESSOAS TRANSGÊNERO
DOI:
https://doi.org/10.70745/bjrtr.v2.97Palabras clave:
câncer de mama, mamopgrafia, pessoas trans, Procedimento Operacional Padrão, Saúde LGBTResumen
Introdução: A Política Nacional de Saúde Integral LGBT (PNSI-LGBT) é um conjunto
de diretrizes e normas estabelecidas pelo Ministério da Saúde, em 2011, com o objetivo
de promover a igualdade no acesso à saúde dentro do Sistema Único de Saúde (SUS) para
a população de lésbicas, gays, bissexuais e transexuais (BRASIL, 2011). Apesar desse
notório avanço, pessoas trans (travestis, transexuais e demais identidades transgênero)
ainda enfrentam dificuldades para acessar cuidados de saúde, sobretudo exames
preventivos, como o de mamografia. A ausência de diretrizes claras, aliada ao despreparo
de certos profissionais para oferecer um tratamento acolhedor, compromete a efetividade
do cuidado e reduz o engajamento em ações de rastreamento do câncer de mama
(OLIVEIRA; SPRUNG, 2022). Além disso, o uso contínuo de hormônios feminizantes
por mulheres trans, que contribuem para o desenvolvimento das mamas, a possibilidade
de permanecer tecido mamário após a cirurgia e ainda os casos de homens trans que optam
pela não retirada das mamas evidenciam a importância de instruções ajustadas para esse
grupo (RAMOS et al., 2023). Objetivo: Diante desse panorama, o presente estudo teve
como propósito desenvolver um procedimento operacional padrão para mamografias em
pessoas trans, assegurando a excelência técnica, a proteção radiológica e um atendimento
humanizado. Método: Para tanto, conduziu-se uma pesquisa bibliográfica qualitativa em
plataformas como SciELO, LILACS, BIREME, PubMed e BVS Brasil, empregando os
termos “Mamografia”, “Saúde LGBT” e “Procedimento Operacional Padrão”. Foram
selecionados artigos publicados nos últimos cinco anos, incluindo também obras de
referência relevantes ao tema. A análise buscou identificar barreiras no atendimento,
lacunas nos protocolos atuais e possíveis estratégias para adequação da prática. Logomais, foi feita a elaboração de uma proposta de um procedimento operacional
padronizado. Resultado e discussão: Os resultados apontam que as diretrizes existentes
seguem um padrão pensado para pessoas cisgênero, desconsiderando particularidades
anatômicas, hormonais e cirúrgicas da população trans (RAMOS et al., 2023). Mulheres
trans em uso prolongado de estrogênio desenvolvem mamas com características
diferentes das mulheres cis, enquanto homens trans, mesmo após mastectomia, podem
apresentar tecido residual suscetível ao câncer de mama (CORSO et al., 2023). Essas
particularidades exigem procedimentos adaptados, que contemplem desde a fase de
acolhimento até a escolha dos parâmetros técnicos adequados. O POP elaborado inclui
orientações sobre comunicação inclusiva, posicionamento correto, ajustes nos parâmetros
de exposição e estratégias para garantir conforto e respeito durante o exame. Prevê-se,
ainda, a validação por profissionais de radiologia e representantes da comunidade trans,
a fim de assegurar aplicabilidade e legitimidade. Conclusão: Conclui-se que desenvolver
um Procedimento Operacional Padrão para mamografia na população trans é fundamental
para diminuir a desigualdade e assegurar um acesso justo aos serviços de saúde, em
consonância com os princípios de universalidade, integralidade e equidade do SUS.
Adicionalmente, ao auxiliar na uniformização das práticas e na melhoria do atendimento,
almeja-se que este projeto sirva de alicerce para futuros estudos e para a elaboração de
políticas públicas que fomentem um cuidado equânime e integral.



