Resumo Dose glandular média: uma análise comparativa entre os posicionamentos e tipos de mama
DOI:
https://doi.org/10.70745/bjrtr.v2.182Palabras clave:
Mamografia, Controle de Qualidade, radioproteção, ANVISA, DoseResumen
O câncer de mama é a segunda maior causa de mortalidade entre mulheres no Brasil, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Para que o rastreamento seja realizado com qualidade e segurança, torna-se fundamental que a prática clínica esteja em conformidade com diretrizes normativas, como a Instrução Normativa nº 92 de 27 de maio de 2021 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), a qual estabelece, dentre outros, parâmetros de Dose Glandular Média (DGM) aceitáveis. O objetivo deste estudo é verificar se os valores de DGM obtidos em exames de mamografia realizados em um hospital público de Belo Horizonte atendem aos critérios de conformidade estabelecidos pela normativa vigente. A metodologia consistiu na construção de um banco de dados com parâmetros técnicos obtidos dos exames, incluindo tensão (kV), corrente (mA) e dose (mGy) de cada projeção craniocaudal (CC) e médio-lateral oblíqua (MLO). A amostra inicial foi composta por 620 pacientes submetidas ao exame de mamografia, porém, após exclusão de exames com ausência de registros completos ou inconsistências, permaneceram 517 pacientes, das quais 50 apresentavam critérios adequados para análise em ambas as incidências (CC e MLO). As pacientes foram classificadas em seis grupos de espessura, e a DGM média foi avaliada por grupo e por incidência, n representa o número de indivíduos. Tendo como base os valores de referência e tolerância preconizados pela instrução normativa citada, os resultados mostram que, nas projeções CC, o grupo de 3,2 cm (n=3) apresentou DGM média de 1,1, com um paciente dentro do valor de referência (1,0 mGy) e dois acima, sem extrapolações de tolerância (<1,5 mGy); para 4,5 cm (n=11), a DGM média foi de 1,60, com cinco pacientes dentro do valor de referência (1,6 mGy), cinco acima e um acima da tolerância (< 2,0 mGy); no grupo de 5,3 cm (n=19), a DGM média foi de 2,15, com oito dentro do valor de referência (2,0 mGy), nove acima e dois acima da tolerância (<2,5 mGy); para 6 cm (n=14), a DGM média foi de 2,60, com sete pacientes dentro do valor de referência(2,6 mGy), cinco acima e dois acima da tolerância (<3,0 mGy); já no grupo de 7,5 cm (n=3), a DGM média foi de 3,45, com dois dentro do valor de referência (3,6 mGy), um acima e nenhum acima da tolerância (<14,5 mGy). Nas projeções MLO, observou-se que o grupo de 3,2 cm (n=3) apresentou DGM média de 1,35, com todos os pacientes acima do valor de referência, mas sem extrapolação de tolerância; para 4,5 cm (n=11), a DGM média foi de 2,01, com dois pacientes dentro do valor de referência, quatro acima e cinco acima da tolerância; no grupo de 5,3 cm (n=19), a DGM média foi de 2,52, com apenas um paciente dentro do valor de referência, sete acima e 11 acima da tolerância; para 6 cm (n=14), a DGM média foi de 3,22, com um paciente dentro do valor de referência, cinco acima e oito acima da tolerância; enfim, no grupo de 7,5 cm (n=3), a DGM média foi de 3,47, com dois pacientes dentro do valor de referência, um acima e nenhum acima da tolerância. A análise comparativa revelou que a maioria das DGMs observadas nas incidências CC permaneceram abaixo dos limites de tolerância estipulados pela normativa, com apenas 10% dos casos extrapolando individualmente esse parâmetro; entretanto, nas incidências MLO, constatou-se maior frequência de extrapolações, atingindo 48% dos casos analisados, com exceção dos grupos de 3,2 cm e 7,5 cm, nos quais não houve valores acima da tolerância. Portanto, a incidência CC está conforme o preconizado, sendo necessário reavaliar os parâmetros de exposição aplicados na incidência MLO.



