Resumo AcolheIA: Saúde Digital e Radiologia Sem Barreiras para a População Transgênero
AcolheIA: Saúde Digital e Radiologia Sem Barreiras para a População Transgênero
DOI:
https://doi.org/10.70745/bjrtr.v2.178Resumen
Introdução: A população transgênero e não-binária enfrenta barreiras substanciais no acesso aos serviços de saúde, como estigma, discriminação, uso inadequado do nome social e desconhecimento técnico de profissionais. Esses fatores reduzem a procura e a adesão a exames preventivos (UNAIDS, 2020; MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2024). A radiologia, essencial para prevenção e diagnóstico precoce, ainda não está plenamente preparada para acolher esse público, o que contribui para atrasos terapêuticos e subdiagnóstico (AGÊNCIA AIDS, 2023). Nesse cenário, soluções digitais como a AcolheIA, com curadoria e georreferenciamento, podem atuar como ponte entre a comunidade trans e serviços radiológicos afirmativos, promovendo acolhimento e qualidade técnica. Objetivo: Apresentar a plataforma AcolheIA e discutir suas contribuições para a radiologia, com foco em estratégias de educação em imagem, mapeamento de serviços afirmativos e recomendações práticas de exames de imagem voltados à população transgênero. Metodologia: O AcolheIA será desenvolvido em 2026 como projeto de Iniciação Científica no UNICEPLAC, integrando os cursos de Radiologia, Análise e Desenvolvimento de Sistemas (ADS), Engenharia de Software e Psicologia. O processo envolverá desenvolvimento tecnológico aliado à revisão bibliográfica em bases como SciELO e PubMed, além de documentos oficiais (Ministério da Saúde, UNFPA, UNAIDS). As funcionalidades planejadas para a plataforma incluem: (a) conteúdos educativos em imagem; (b) Mapa de Acolhimento para unidades de radiologia; (c) fluxos informativos via chatbot para preparo e orientação pré/pós-exame; (d) consulta à comunidade e especialistas para validação do material. Essa metodologia colaborativa permitirá aliar fundamentos técnicos da radiologia à programação computacional, usabilidade digital e acolhimento psicológico, garantindo desenvolvimento científico, ético e inclusivo. Resultados: A estrutura da AcolheIA foi organizada em quatro módulos principais: Chatbot Inteligente (IA): orientações sobre preparo de exames (mamografia, ultrassonografia), esclarecimento sobre indicações e limitações, além de encaminhamento a avaliação clínica quando necessário. Mapa de Acolhimento (georreferenciamento): listagem de clínicas de radiologia com práticas afirmativas (uso do nome social, protocolos de privacidade, equipe treinada). Biblioteca de Conteúdo (educação em imagem): guias ilustrados e materiais produzidos por radiologistas, abordando exames como mamografia, ultrassonografia pélvica e de mamas, além de orientações sobre Papanicolau quando aplicável. Comunidade Segura (suporte): fórum moderado onde pacientes compartilham experiências sobre a realização de exames de imagem, avaliando acolhimento e acessibilidade. A plataforma também sugere orientações específicas para exames preventivos em pacientes transgênero, como vigilância mamária para homens trans, rastreamento do colo uterino quando presente, e avaliação de mamografia/ultrassonografia em mulheres trans em uso de estrogênio. Essas estratégias podem reduzir receios, melhorar o preparo para exames, aumentar a adesão ao rastreamento e aprimorar a qualidade das imagens obtidas, em consonância com recomendações recentes s
sobre atenção à população LGBTQIA+ (UNFPA, 2024). Conclusão: A AcolheIA configura-se como uma ferramenta estratégica para ampliar o acesso, o acolhimento e a prevenção em saúde na comunidade transgênero e não-binária. Sua integração à radiologia potencializa a adesão a exames preventivos (mamografia, ultrassonografia e rastreamento do colo uterino), melhora a qualidade das imagens por meio de melhor preparo e contribui para reduzir desigualdades no diagnóstico. A combinação entre tecnologia digital e práticas afirmativas de acolhimento representa avanço importante para a qualidade e a evolução da radiologia no contexto da saúde inclusiva (AGÊNCIA BRASIL, 2024; UNAIDS, 2020; MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2024).
Palavras-chave: Saúde digital; Radiologia; População transgênero; Mamografia; Ultrassonografia; Acesso à saúde.



