Resumo Mapeamento dos registros de marcapassos cardíacos no Brasil: critério de segurança para ressonância magnética.
DOI:
https://doi.org/10.70745/bjrtr.v2.173Resumen
O objetivo deste estudo foi identificar e mapear os dispositivos cardíacos implantáveis (DCI), especificamente os marcapassos, compatíveis com o exame de ressonância magnética (RM), com registros ativos na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) até o dia 30 de maio de 2025. A metodologia de pesquisa consistiu em uma análise exploratória e documental, com dados coletados diretamente no Painel de Marcapassos Cardíacos Implantáveis da ANVISA. A RM é uma técnica de exame de imagem caracterizada por sua excelente resolução espacial, sem utilização da radiação ionizante, produzindo imagem em alto contraste, permitindo melhor visualização das partes moles, tornando-se uma opção segura e eficaz para o diagnóstico de múltiplas patologias. São realizados, anualmente, milhões de exames no mundo, e a tendência é que a demanda continue a crescer, impulsionada pelo envelhecimento da população. Estima-se que um paciente com marcapasso tenha de 50 a 75% de probabilidade de realizar um exame de RM durante a vida após o implante do dispositivo, porém, a realização desse exame em pacientes com marcapassos representa um desafio devido aos riscos associados à interação eletromagnética entre os dispositivos e o equipamento, podendo causar mau funcionamento e aquecimento dos componentes metálicos e possíveis danos, como queimaduras, aos tecidos adjacentes. No Brasil, de acordo com estudo divulgado pelo Journal of the American College of Cardiology, foram cerca de 400 mil mortes por doenças cardíacas em 2022, número que evidência a importância desses dispositivos na vida dos pacientes. Com os avanços tecnológicos, foram desenvolvidos marcapassos cardíacos compatíveis com o ambiente de RM, desde que observadas as especificações de uso informadas pelos fabricantes. No sistema da ANVISA foram encontrados 188 registros de dispositivos de implantes cardíacos: 66,5% (125) compatíveis sem restrições, 6,4% (12) compatíveis com restrições especificadas pelos fabricantes, e 27,1% (51) não compatíveis. Foi observada uma grande variação de modelos entre os dispositivos quanto a peso, polaridade, formato e tipo de bateria, com destaque para os fabricantes Biotronik e Auto Suture do Brasil quanto à quantidade de registros ativos. Apesar dos avanços e melhorias nessa área, o acesso à RM por pacientes portadores de marcapassos ainda enfrenta dificuldade para realização do exame, especialmente no sistema público de saúde, que é marcado pela carência de equipamentos que atendam às especificações, ausência de protocolos atualizados e capacitação técnica insuficiente. O mapeamento realizado pode auxiliar profissionais da radiologia a compreender melhor a distribuição desses dispositivos, promovendo a prática segura do exame e evidenciando a necessidade de investimentos em protocolos, capacitação profissional e em sistemas de informação integrados de forma contínua.
Palvras-chave: Marcapasso; Ressonância magnética; Segurança.Parte inferior do formulário



