Resumo A radiologia estampada: leitura simbólica do selo comemorativo de Roentgen no Brasil

Autores

  • Júlia Siqueira Brandão Universidade Federal de Minas Gerais
  • Larissa Caetano Braga Universidade Federal de Minas Gerais
  • Raul Fernandes Moreira Universidade Federal de Minas Gerais
  • Vitória Martins de Jesus Santos Universidade Federal de Minas Gerais
  • Adriana de Souza Medeiros Batista UFMG

DOI:

https://doi.org/10.70745/bjrtr.v2.86

Palavras-chave:

Interacionismo simbólico, Filatelia, Representações sociais, Roentgen, Radiologia

Resumo

A radiologia, enquanto campo científico e tecnológico, ocupa um lugar de destaque não apenas na prática médica, mas também no imaginário coletivo, sendo frequentemente representada por símbolos que evocam ciência, precisão e modernidade. Em 1995, os Correios do Brasil emitiram um selo comemorativo em homenagem a Wilhelm Conrad Roentgen, descobridor dos raios X, celebrando os 100 anos da radiologia e os 150 anos de nascimento do cientista. Criado por Murilo Lobato, o selo apresenta a imagem da primeira radiografia realizada em laboratório: a mão esquerda de Anna Bertha Ludwig, esposa de Roentgen, com um anel visível, capturada em 22 de dezembro de 1895. Essa imagem histórica, obtida após cerca de 15 minutos de exposição aos raios X, marcou o início da radiologia como técnica de diagnóstico por imagem e causou fascínio mundial ao revelar o interior do corpo humano sem cirurgia. Este trabalho propõe uma análise simbólica do referido selo, considerando seus elementos visuais e discursivos à luz da teoria do interacionismo simbólico, com o objetivo de compreender como a radiologia é socialmente representada e percebida no contexto brasileiro. A pesquisa tem como objetivo geral analisar os significados simbólicos atribuídos à radiologia no imaginário coletivo brasileiro por meio do selo comemorativo de Roentgen. Especificamente, busca-se identificar os elementos visuais presentes no selo, interpretá-los com base na teoria do interacionismo simbólico e discutir o papel da filatelia como meio de representação social da ciência. A metodologia adotada é qualitativa, de natureza descritiva e analítica, com abordagem interpretativa. A fonte principal é o selo da série “Centenário da Radiologia - 150 Anos do Nascimento de Roentgen”, cuja análise foi conduzida com base nos conceitos de símbolo, interação e construção de significados propostos por Herbert Blumer. Complementarmente, foram consultadas referências sobre história da radiologia, comunicação visual e filatelia científica. A escolha da imagem da mão radiografada de Anna Bertha Ludwig como elemento central do selo reforça a dimensão histórica e simbólica da descoberta dos raios X. Ao invés de recorrer a ícones abstratos ou técnicos, o selo brasileiro opta por uma representação concreta e afetiva, que humaniza a ciência e aproxima o público da origem da radiologia. No contexto brasileiro, essa escolha revela uma sensibilidade cultural voltada à valorização da história da ciência e à difusão de conhecimento por meio de artefatos visuais acessíveis. Por outro lado, o selo apresenta também a imagem estilizada de Roentgen e reforça a narrativa do “herói científico”. Outro elemento visual de destaque é a presença da assinatura de Wilhelm Conrad Roentgen, que confere ao selo um caráter de autenticidade histórica e reforça a autoridade simbólica do cientista. A assinatura, enquanto marca pessoal, atua como um elo direto entre o passado e o presente da radiologia, evocando a figura do descobridor como referência fundadora da prática radiológica. A estética técnica e o uso de cores sóbrias contribuem para a construção de uma imagem de seriedade e precisão científica. A filatelia, nesse sentido, atua como meio de difusão cultural e reconhecimento institucional da radiologia, contribuindo para sua legitimação social. Conclui-se que o selo comemorativo de Roentgen representa mais do que uma homenagem: ele sintetiza, em linguagem visual, os significados atribuídos à radiologia no imaginário coletivo brasileiro. A análise interacionista simbólica permite compreender como esses elementos constroem e reforçam a identidade da radiologia como ciência e prática social. Estudos futuros podem explorar outras representações visuais da radiologia em diferentes contextos culturais, ampliando o debate sobre ciência, memória e identidade.

Biografia do Autor

Júlia Siqueira Brandão, Universidade Federal de Minas Gerais

Estudante de Radiologia.

Larissa Caetano Braga, Universidade Federal de Minas Gerais

Estudante de Radiologia.

Raul Fernandes Moreira, Universidade Federal de Minas Gerais

Estudante de Radiologia.

Vitória Martins de Jesus Santos, Universidade Federal de Minas Gerais

Estudante de Radiologia.

Publicado

13-03-2026

Como Citar

Siqueira Brandão, J., Caetano Braga, L., Fernandes Moreira, R., Martins de Jesus Santos, V., & de Souza Medeiros Batista, A. (2026). Resumo A radiologia estampada: leitura simbólica do selo comemorativo de Roentgen no Brasil. Brazilian Journal of Radiation Technology Research (ISSN 2966-4292), 2(01). https://doi.org/10.70745/bjrtr.v2.86

Edição

Seção

Resumos do Congresso Nacional de Radiologia