Resumo Definição e teste do Protocolo de Tomografia Computadorizada de Ultrabaixa Dose para Estudo do Parênquima Pulmonar em Pediatria.
DOI:
https://doi.org/10.70745/bjrtr.v2.56Abstract
Introdução: Nos exames de tomografia computadorizada (TC), o paciente se expõe a uma dose maior de radiação ionizante em comparação aos métodos radiográficos. Quanto mais jovem o indivíduo exposto, maiores as chances de possíveis efeitos biológicos. As crianças constituem o grupo de maior preocupação e requerem atenção especial quanto aos princípios de justificação e otimização. Elas tem expectativa de vida maior em comparação ao adulto, além dos processos constantes de desenvolvimento celular, aumentando as chances de uma possível lesão celular e desenvolvimento de efeitos estocásticos ao longo da vida. Os tomógrafos atuais, possuem novas ferramentas de otimização da dose, incluindo reconstrução iterativa e inteligência artificial (IA). Estes permitem adquirir imagens com ultrabaixa dose (TCUBD) de radiação do tórax, imagens com exposições próximas ou equivalentes a de uma radiografia simples. Objetivos: Organizar e testar um protocolo de TCUBD para avaliação do parênquima pulmonar em crianças internadas devido a quadro respiratório agudo. Metodologia: O protocolo foi montado num tomógrafo de 64 canais/128 cortes da marca Imex, modelo Imagine Star. Foi utilizado para aquisição e avaliação das imagens um simulador de desempenho de TC padronizado conforme a AAPM (Associação Americana de Física Médica). A kVp (tensão de pico) foi ajustada conforme faixa etária e peso, variando entre 80 e 120 kVp. As aquisições foram feitas com Corrente fixa e modulada, ambas com intensidade de 10 mA. As imagens foram adquiridas no modo IA Lowdose com denoise de 0,30. O restante dos parâmetros incluiu colimação de 64 x 0,625, espessura de corte de 2,5 mm, reconstrução volumétrica de 1,25 mm, pitch 1.3 e rotação do tubo de 0,5 segundos. A análise de qualidade de imagem foi feita de forma objetiva, calculando a razão sinal-ruído (SNR) dos diferentes materiais presentes no simulador (nylon, acrílico, delrin e água). A estimativa da dose efetiva foi realizada conforme a norma 103 da ICRP. Além disso, foram comparados estatisticamente os desempenhos entre corrente fixa e modulada. O valor de p foi determinado pelo teste de hipótese de Wilcoxon, utilizando o programa estatistico R. Resultados p-value < 0,05 foram considerados estatisticamente significativos. Os resultados obtidos de dose efetiva foram comparados com a literatura atual. Em posse dos resultados, foi correlacionada a dose de radiação da TCUBD corrente modulada, fixa e protocolo de dose padrão pediátrica. Resultados: Entre os resultados de SNR da corrente fixa e modulada , a corrente modulada teve melhor desempenho e qualidade de imagem superior em relação à corrente fixa. Todavia, houve um aumento significativo na dose de radiação, conforme as faixas etárias de 0-1 ano, 1-5, 5-10, 10-17 anos, com aumento de dose de 84%, 83%, 81% e 84% para corrente modulada em relação a corrente fixa, fugindo da proposta encontrada na literatura para a TCUBD. A corrente fixa, embora com SNR menor em relação à modulada, na análise estatística, evidenciou resultados positivos e constantes entre dose de radiação e manutenção da qualidade de imagens. Ao comparar a dose de radiação da TCUBD corrente fixa com o protocolo de dose padrão pediátrica, foi estimado uma redução de até 97% da dose de radiação. Conclusão: No que concerne à definição deste protocolo, a TCUBD com corrente fixa, trouxe resultados significativos quanto a manutenção da qualidade de imagem com menor dose de radiação em comparação a corrente modulada, com otimização da dose de radiação de até 97% com relação à dose padrão de tórax pediátrico.



