Mapeando os desfechos e a dose de Radiação na Angioplastia Pulmonar
um registro multicêntrico de coorte em pacientes com Hipertensão Pulmonar
DOI:
https://doi.org/10.70745/bjrtr.v2.209Abstract
A Hipertensão Pulmonar (HP) é uma condição complexa e grave caracterizada pela elevação persistente da pressão arterial na circulação pulmonar, decorrente de estenose ou obstrução da artéria pulmonar causada por trombo organizado, que resulta em aumento da resistência vascular pulmonar e sobrecarga do ventrículo direito. A Hipertensão Pulmonar (HP) afeta entre 2 a 5 milhões de pessoas a cada milhão de adultos por ano, globalmente, com prevalências variando conforme o tipo e grupo. No Brasil, estima-se que mais de 2 milhões de brasileiros convivam com a condição, dos quais 100.000 necessitam de tratamento específico para a Hipertensão Arterial Pulmonar (HAP). Clinicamente, a HP pode se apresentar com dispneia de esforço, fadiga, tontura, síncope, angina e, em estágios avançados, edema periférico e insuficiência cardíaca direita. Sua etiologia é diversificada e reflete em um espectro de mecanismos patofisiológicos, desde a vasoconstrição endotelial até remodelação vascular e trombose in situ. O manejo eficaz depende de um diagnóstico precoce, estratificação de risco e uso de estratégias terapêuticas que ataquem tanto os sinais hemodinâmicos quanto os sintomas, visando melhorar a qualidade de vida e a sobrevida. Nos últimos anos, a angioplastia pulmonar tem emergido como um método promissor no repertório terapêutico da HP, especialmente em subtipos onde as opções médicas tradicionais apresentam limitações. A angioplastia, que envolve intervenção percutânea para dilatar vias vasculares pulmonares obstruídas ou estreitadas, busca reduzir a resistência vascular pulmonar, melhorar o fluxo sanguíneo e, por consequência, aliviar a demanda de trabalho do ventrículo direito. Diferentemente de abordagens farmacológicas sistêmicas, a angioplastia pode oferecer benefício direto na hemodinâmica local, possivelmente complementando ou, em alguns cenários, substituindo temporariamente o regime medicamentoso intensivo. Os resultados da Angioplastia Pulmonar dependem de diversos fatores, como a etiologia da HP, a extensão e localização das obstruções, a complacência vascular, a idade e a comorbidade do paciente, além da experiência da equipe multidisciplinar. Estudos multicêntricos e coortes prospectivas têm contribuído para delinear perfis de pacientes que mais se beneficiam, bem como para estabelecer parâmetros de monitoramento, como medidas de hemodinâmica, resposta clínica, qualidade de vida e eventos adversos. Apesar do potencial promissor, é fundamental reconhecer que a angioplastia pulmonar ainda exige avaliação cuidadosa de riscos, incluindo complicações vasculares, reperfusão tecidual, necessidade de reintervenção e questões relacionadas a alta dose de radiação. Objetivo Principal: Avaliar níveis de exposição radiológica na Angioplastia Pulmonar. Objetivo Secundário: Verificar os principais desfechos decorrentes da Angioplastia Pulmonar. Método: Coorte multicêntrica retrospectiva e prospectiva envolvendo 03 hospitais. Estudo aprovado pelo comitê de ética e pesquisa. Foram avaliadas as doses aportadas nos procedimentos, bem como principais desfechos clínicos decorrentes da Angioplastia Pulmonar. Resultados: Níveis médios de dose de radiação costumam variar amplamente conforme o volume de imagem, tempo de fluoroscopia e complexidade do procedimento, sobretudo o número dos ramos da vasculatura alvo e necessidade de cineangiografias repetidas, bem como reposicionamento de cateter. Em séries multicêntricas, valores médios de DLP podem ficar na faixa de dezenas a centenas de Gy·cm², com variações significativas entre centros e entre pacotes de técnicas de imagem. Conclusão: A hipertensão pulmonar continua a representar um desafio clínico significativo, com impacto relevante na qualidade de vida e na sobrevida dos pacientes. Um ponto central que ganha cada vez mais importância é a dose de radiação associada aos procedimentos intervencionistas. Os resultados disponíveis indicam uma variabilidade considerável entre centros, refletindo diferenças em protocolos de imagem, tempo de fluoroscopia, uso de cineangiografia e tecnologias de imagem. Embora a maioria dos eventos radiológicos graves permaneça rara com controle adequado de dose, a possibilidade de efeitos determinísticos e riscos de efeitos estocásticos ressaltam a necessidade de vigilância constante, padronização de parâmetros de dose e adoção de medidas de mitigação



