Resumo Diagnóstico e Estratificação do Carcinoma Hepatocelular na Tomografia Computadorizada Trifásica
DOI:
https://doi.org/10.70745/bjrtr.v2.117Abstract
Introdução: O carcinoma hepatocelular (CHC) é o câncer hepático primário mais prevalente, fortemente associado à cirrose, hepatite crônica e hemocromatose. Sua alta incidência e mortalidade exigem métodos diagnósticos sensíveis e específicos para identificação precoce e planejamento terapêutico adequado. A tomografia computadorizada (TC) trifásica, realizada com contraste iodado, destaca-se como ferramenta essencial, pois permite caracterizar o comportamento vascular das lesões hepáticas e, assim, diferenciar nódulos benignos, pré-malignos e malignos. A padronização dos achados pelo Liver Imaging Reporting and Data System (LI-RADS) reduziu a variabilidade interobservador e aumentou a precisão diagnóstica, favorecendo o estadiamento e a seleção terapêutica. Objetivo: Analisar o papel da TC trifásica associada ao LI-RADS no diagnóstico e estadiamento do CHC, destacando seu diferencial frente a outros métodos de imagem e suas perspectivas inovadoras, incluindo inteligência artificial e aplicabilidade em fígados não cirróticos. Material e Métodos: Foi conduzida uma revisão narrativa baseada em 31 artigos científicos selecionados entre 2015 e 2025 nas bases PubMed, Scielo e Google Scholar, incluindo revisões sistemáticas, metanálises e protocolos institucionais. Os dados extraídos foram sintetizados segundo relevância, qualidade metodológica e aplicabilidade clínica. Resultados: A TC trifásica demonstrou alta especificidade para CHC quando associados os critérios clássicos: hiper-realce arterial, washout portal e pseudocápsula. A categoria LR-5 do LI-RADS apresentou especificidade próxima a 100% para CHC em múltiplos estudos, enquanto categorias intermediárias (LR-3 e LR-4) requerem acompanhamento ou métodos adicionais. O uso do critério “threshold growth” aumentou a sensibilidade para lesões ≤3 cm sem reduzir a especificidade. Em fígados não cirróticos com esteatose, o LI-RADS manteve desempenho elevado, sugerindo aplicabilidade ampliada. Protocolos brasileiros exemplificam a integração entre ultrassonografia inicial e TC trifásica para caracterização de lesões. Evidências emergentes apontam que algoritmos de inteligência artificial e análise radiômica aplicados à TC podem aprimorar a estratificação de risco e previsão de resposta terapêutica, configurando um novo paradigma na avaliação do CHC. Conclusão: A TC trifásica, aliada ao LI-RADS, consolida-se como pilar no diagnóstico e estadiamento do carcinoma hepatocelular, oferecendo acurácia comparável à ressonância magnética em muitos cenários. Seu uso sistemático favorece diagnóstico precoce, seleção de candidatos ao transplante e planejamento de terapias loco-regionais. A incorporação de inteligência artificial e radiômica projeta um futuro em que a TC ultrapassa a detecção de lesões, tornando-se instrumento estratégico de medicina personalizada. Essa combinação de padronização, disponibilidade e inovação tecnológica representa um diferencial essencial para o manejo do CHC no contexto brasileiro e internacional.



