Resumo Distribuição dos Equipamentos PET-CT e SPECT em Minas Gerais Uma Análise da Disponibilidade e Acessibilidade pelo SUS.

Autores

DOI:

https://doi.org/10.70745/bjrtr.v2.64

Palavras-chave:

PET-CT, SPECT, Medicina Nuclear, Sistema Único de Saúde, Acesso à saúde

Resumo

A Medicina Nuclear utiliza modalidades de diagnóstico por imagem que investigam aspectos funcionais e morfológicos do organismo. Entre as principais tecnologias, destacam-se a Tomografia por Emissão de Pósitrons associada à Tomografia Computadorizada (PET-CT) e a Tomografia Computadorizada por Emissão de Fóton Único (SPECT). O PET-CT fornece imagens de alta sensibilidade ao empregar radiofármacos emissores de pósitrons, enquanto o SPECT possibilita avaliar processos fisiológicos por meio de radiofármacos emissores de fóton gama [1, 2]. O Ministério da Saúde, por meio do DATASUS, disponibiliza dados sobre a infraestrutura de saúde, incluindo o número de equipamentos em operação no Sistema Único de Saúde (SUS) e na rede suplementar [3]. Minas Gerais, com 20.539.989 habitantes, aproximadamente 10% da população brasileira e 853 municípios [4], apresenta expressiva diversidade geográfica e populacional, o que influencia diretamente a distribuição e a acessibilidade dos equipamentos PET-CT e SPECT. O objetivo deste estudo foi mapear a distribuição dos equipamentos de PET-CT e SPECT em Minas Gerais, destacando a oferta pelo SUS dentre os municípios mineiros. Foram consultados dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES/DATASUS) até 25 de agosto de 2025. Foram incluídos apenas os equipamentos com status “em uso” e “SUS”. As informações foram organizadas em planilha eletrônica, contabilizando o número total de aparelhos por município, discriminando aqueles destinados ao SUS e à rede suplementar. A análise foi conduzida por estatística descritiva, quantitativa e qualitativa, com ênfase na comparação entre municípios. Foram identificados 112 equipamentos, sendo 59 (52,7%) via SUS. Do total, 88 são SPECT e 24 são PET-CT. Entre os SPECT, 47 (53%) estão no SUS e 41 (47%) rede suplementar. Entre os PET-CT, 12 estão no SUS (50%) e 12 suplementares (50%). Os aparelhos SPECT estão distribuídos em 36 municípios e os PET-CT em 10, revelando grande concentração em centros urbanos e menor no interior do estado. Belo Horizonte é o maior polo, 25 SPECT (14 SUS) e 5 PET-CT (todos SUS). Em seguida, destaca-se Ibirité, com 9 PET-CT, mas todos da rede suplementar. Uberlândia dispõe de 6 SPECT (3 SUS) e 2 PET-CT (1 SUS), enquanto Juiz de Fora soma 5 SPECT (2 SUS) e 1 PET-CT (suplementar). Uberaba conta com 5 SPECT (1 SUS). Esses cinco municípios concentram maior infraestrutura estadual. Por outro lado, diversos municípios contam com apenas 1 equipamento, como Araxá, Betim, Bom Despacho, dentre outros. Nessas localidades, a oferta restrita compromete o acesso da população a estes exames. No caso específico do PET-CT, apenas dez municípios concentram toda a cobertura estadual. Além da capital, apenas Uberlândia, Poços de Caldas, Montes Claros, Muriaé, Pouso Alegre, Ipatinga e Passa Quatro possuem aparelhos acessíveis pelo SUS, reforçando a desigualdade geográfica. A análise evidencia que Minas Gerais dispõe de uma rede de equipamentos compatível com sua representatividade populacional, mas distribuída desigualmente. Enquanto Belo Horizonte e alguns centros regionais concentram maior parte dos aparelhos, centenas de municípios permanecem sem acesso. Embora a maioria dos equipamentos esteja disponível via SUS, a concentração geográfica limita a equidade, exigindo que pacientes de regiões distantes se desloquem para grandes polos. Outro ponto é que não existem, até o momento, diretrizes nacionais ou estaduais que estabeleçam parâmetros mínimos de quantidade ou distribuição ideal de equipamentos PET-CT e SPECT. As normas tratam de qualidade e proteção radiológica, sem orientar a expansão equitativa da rede. Essa ausência contribui para as desigualdades regionais. Assim, políticas públicas voltadas não apenas à descentralização e ampliação do parque tecnológico, mas também à definição de parâmetros mínimos de cobertura, poderiam promover maior justiça no acesso aos exames de Medicina Nuclear no estado.

Biografia do Autor

Alexandre Vilaça Silva, Universidade Federal de Minas Gerais / Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear

Graduado em Administração de Empresas pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Belo Horizonte (FACISA-BH) em 2015. Atualmente é discente do curso de Radiologia na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e bolsista de Iniciação Científica pelo segundo ano consecutivo no Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN). Atua no Laboratório de Imagem Molecular (LIM/CDTN), na linha de pesquisa em micro PET-CT pré-clínico, com ênfase no uso de fantomas cilíndricos para calibração e controle de qualidade de equipamentos.

Anna Clara Moreira da Silva, Univerdade Federal de Minas gerais / Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear.

Graduanda em Radiologia pela Universidade Federal de Minas Gerais e aluna bolsista de iniciação científica do Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear, pelo terceiro ano consecutivo. 

Carolina Carvalho Freitas, Universidade Federal de Minas Gerais

Discente do curso de Radiologia da Universidade Federal de Minas Gerais.

Luranes Batista da Conceição, Universidade Federal de Minas Gerais

Discente do curso de Radiologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Estagiária na Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SESMG), Subsecretaria de Vigilância e Proteção à Saúde (SUBVP), Superintendência de Vigilância em Saúde (SVS), Diretoria de Vigilância Sanitária (DVS).

Rodrigo Modesto Gadelha Gontijo, Universidade Federal de Minas Gerais / Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear / Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares

Doutor em Ciência e Tecnologia das Radiações, Minerais e Materiais no CDTN/CNEN [2019]. Mestre em Radioproteção e Dosimetria com ênfase em Biofísica das Radiações pelo IRD/CNEN [2011]. Graduado em Tecnologia em Radiologia pelo CEFET-MG [2008]. Atuou como Técnico de Projetos Navais - Especialidade Radioproteção; no Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo - CTMSP/EMGEPRON atual AMAZUL. Atuou também como controlador de qualidade no Instituto Mineiro de Dosimetria e Radioproteção (IMDR). Tem experiência na área de Engenharia Nuclear, atuando principalmente nos seguintes temas: proteção radiológica, radiologia, diagnóstico por imagem, controle de qualidade e tecnologia em medicina nuclear. Supervisor de Proteção Radiológica em Medicina Nuclear - FM-0286 e autorização para manuseio de fontes radioativas - AP-1570 CNEN. Atuou com PET/CT. Atualmente é Professor Adjunto do Departamento de Anatomia e Imagem (IMA) da Faculdade de Medicina da UFMG e Tecnólogo em Radiologia no HC-UFMG pela EBSERH. Membro do Comitê de Proteção Radiológica do HC-UFMG. Ex-Membro da Diretoria Executiva SBBN (2 Secretário). Conselheiro do Conselho Regional de Técnicos e Tecnólogos em Radiologia 3 Região (CRTR-MG) Gestão 2017-2022 e 2022-2026; Ex-Presidente da CORED-MG (Coordenação de Educação do CRTR-MG) e COREFI-MG (Coordenação de Fiscalização do CRTR-MG). Membro da ABTER (Associação Brasileira de Tecnólogos em Radiologia) e Presidente da ABCR (Academia Brasileira de Ciências Radiológicas).

Andrea Vidal Ferreira, Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear

Bacharel em Física pela Universidade Federal de Minas Gerais (1991), mestre em Física pela Universidade Federal de Minas Gerais (1994) e doutora em Engenharia de Materiais pela Universidade Federal de Ouro Preto (2005). Desde 1996 é servidora da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e atualmente atua como Tecnologista Sênior no Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN/CNEN). Tem experiência na área de Física das Radiações, com ênfase em Física de Reatores, Aplicações de Métodos Analíticos Nucleares, Dosimetria Interna e Tomografia PET de pequenos animais. Entre 2012 e 2015 foi Chefe do Serviço do Reator e Técnicas Analíticas (SERTA/CDTN) e Chefe Substituto da Divisão de Reatores e Radiações (DIRRA). Atualmente é responsável pelo Laboratório de Imagem Molecular (LIM/CDTN).

Publicado

13-03-2026

Como Citar

Vilaça Silva, A., Moreira da Silva, A. C., Carvalho Freitas, C., Batista da Conceição, L., Modesto Gadelha Gontijo, R., & Vidal Ferreira, A. (2026). Resumo Distribuição dos Equipamentos PET-CT e SPECT em Minas Gerais Uma Análise da Disponibilidade e Acessibilidade pelo SUS. Brazilian Journal of Radiation Technology Research (ISSN 2966-4292), 2(01). https://doi.org/10.70745/bjrtr.v2.64

Edição

Seção

Resumos do Congresso Nacional de Radiologia