Resumo Tomografia Computadorizada como Ferramenta Estratégica no Seguimento de Metástases Pulmonares do Câncer de Mama
DOI:
https://doi.org/10.70745/bjrtr.v2.114Palavras-chave:
Câncer de mama; Metástase Pulmonar; Tomografia ComputadorizadaResumo
Introdução: O câncer de mama é a neoplasia maligna mais frequente entre as mulheres e continua sendo uma das principais causas de mortalidade oncológica mundial. Embora os avanços no rastreamento e nas terapias sistêmicas tenham melhorado o prognóstico, uma parcela significativa das pacientes evolui para doença metastática, estágio em que o tratamento é paliativo e o objetivo central passa a ser prolongar a sobrevida e manter qualidade de vida. Os pulmões estão entre os sítios mais acometidos por metástases do câncer de mama, podendo apresentar-se sob diferentes padrões radiológicos, como múltiplos nódulos arredondados, micronodulose difusa, linfangite carcinomatosa e envolvimento pleural. A identificação precoce dessas alterações é essencial para orientar condutas terapêuticas. A tomografia computadorizada (TC) é atualmente o método de imagem de maior sensibilidade e especificidade para avaliação do tórax em oncologia, superando o raio-x convencional na detecção de lesões pequenas e no monitoramento da resposta a diferentes modalidades de tratamento. Além disso, possibilita mensurações padronizadas de lesões-alvo segundo critérios como RECIST 1.1 e iRECIST, fundamentais em ensaios clínicos e na prática clínica diária. Diante da importância crescente da oncologia personalizada, a TC se consolida como ferramenta estratégica para guiar decisões terapêuticas, avaliar complicações associadas e auxiliar na distinção entre progressão tumoral e efeitos adversos das terapias. Objetivo: Avaliar a importância da TC como ferramenta estratégica no seguimento de metástases pulmonares do câncer de mama, destacando aspectos técnicos, padrões radiológicos relevantes, critérios de resposta terapêutica e recomendações de acompanhamento seriado. Material e Métodos: Para isso, foi realizada uma revisão narrativa da literatura em bases como PubMed e Scielo, abrangendo publicações entre 2017 e 2024. Foram incluídas revisões sistemáticas, diretrizes internacionais da ESMO e NCCN, além de consensos sobre critérios de resposta tumoral, como RECIST 1.1 e iRECIST. Resultados e Discussão: Foi evidenciado que a TC de tórax é considerada padrão-ouro para o estadiamento e reestadiamento do câncer de mama metastático, devido à sua capacidade de detectar nódulos subcentimétricos e caracterizar padrões pulmonares específicos. A TC supera a radiografia de tórax na detecção precoce de micronódulos e alterações estruturais iniciais, possibilitando diagnósticos antecipados e intervenções oportunas. No acompanhamento terapêutico, a realização de exames seriados em intervalos de 8 a 16 semanas, ajustados ao esquema sistêmico, permite a mensuração precisa de lesões-alvo conforme RECIST 1.1, bem como a avaliação de padrões não mensuráveis como linfangite carcinomatosa e derrame pleural. Além disso, a TC auxilia na diferenciação entre progressão tumoral e condições benignas, como pneumonite induzida por drogas ou infecções oportunistas, evitando condutas desnecessárias. Nos cenários de imunoterapia, a aplicação do iRECIST torna-se especialmente relevante para reconhecer quadros de pseudoprogressão. Também se destaca a importância de protocolos de dose otimizados, que utilizam cortes finos entre 1 e 1,5 mm, reconstruções multiplanares e algoritmos iterativos, garantindo qualidade diagnóstica adequada com menor exposição cumulativa à radiação. Em casos indeterminados, particularmente em nódulos maiores que 8 mm com comportamento duvidoso, a integração da TC com o PET/CT pode fornecer informações metabólicas adicionais que auxiliam na definição da conduta. Conclusão: Conclui-se que a TC é uma ferramenta estratégica indispensável no seguimento de metástases pulmonares do câncer de mama, pois permite diagnóstico precoce, monitoramento objetivo da resposta terapêutica e maior segurança na tomada de decisões clínicas. Seu uso sistemático, aliado à padronização técnica e à integração multidisciplinar, contribui para prolongar a sobrevida e otimizar a qualidade de vida das pacientes. A adoção de protocolos de baixa dose e a possibilidade de complementação com PET/CT ampliam ainda mais seu valor no contexto da oncologia moderna.



