Resumo Comparação do Ruído em Sistemas de Mamografia CR e Retrofit DR Usando o Espectro de Potência de Ruído Normalizado
DOI:
https://doi.org/10.70745/bjrtr.v2.148Palavras-chave:
Mamografia; Ruído; Retrofit.Resumo
A qualidade da imagem mamográfica é determinante para a detecção precoce do câncer de mama, e o ruído é um dos principais fatores que podem comprometer a visibilidade de estruturas de baixo contraste, como de massas tumorais, reduzindo a eficácia diagnóstica [1]. Entre os sistemas de aquisição mais utilizados estão o de Radiografia Computadorizada (CR) e o Retrofit Digital (DR), que representam adaptações à tecnologia analógica de mamografia [2,3]. Com o avanço das soluções digitais, espera-se que novas implementações como o Retrofit DR tragam benefícios quanto à qualidade da imagem, incluindo a possível redução do ruído. No entanto, é necessário avaliar objetivamente se esse ganho ocorre na prática. Para isso, o presente estudo utilizou o Espectro de Potência de Ruído Normalizado (NNPS), uma métrica capaz de descrever a distribuição da energia do ruído em diferentes frequências espaciais e comparar de forma analítica o desempenho dos dois sistemas [4]. O experimento foi conduzido seguindo os protocolos EUREF e Espanhol [5,6], utilizando imagens de campo uniforme em formato para processamento (Raw Data). Foram realizados testes de linearidade e função de resposta do detector, selecionando-se para análise a imagem correspondente a um kerma no ar de aproximadamente 100 μGy. As aquisições foram feitas em dois sistemas distintos: um sistema CR da Carestream, baseado em material de fósforo fotoestimulável, e um Retrofit DR da Shimadzu, com detector digital indireto de iodeto de césio [3]. As imagens foram processadas no software ImageJ por meio do plugin COQ, e em cada caso foi definida uma região de interesse (ROI) central de 50 × 50 mm [5,6]. A análise do NNPS foi realizada nas direções horizontal, vertical e radial em duas frequências espaciais representativas, 0,5 mm⁻¹ e 2,0 mm⁻¹, possibilitando avaliar o comportamento do ruído em baixas e altas frequências [5,6]. Os resultados mostraram que o CR apresentou valores de NNPS substancialmente menores quando comparado ao Retrofit DR. Para o CR, os valores médios variaram de 2,62 × 10⁻⁷ a 2,65 × 10⁻⁷ em 0,5 mm⁻¹ e de 9,50 × 10⁻⁸ a 1,11 × 10⁻⁷ em 2,0 mm⁻¹. Já no Retrofit DR, os valores foram cerca de uma ordem de grandeza superiores, entre 4,28 × 10⁻⁶ e 5,62 × 10⁻⁶ em 0,5 mm⁻¹ e de 2,01 × 10⁻⁶ a 2,30 × 10⁻⁶ em 2,0 mm⁻¹. Essa diferença se manteve em todas as direções avaliadas (horizontal, vertical e radial), indicando que o Retrofit, apesar de sua proposta de modernização tecnológica, apresentou maior nível de ruído do que o sistema CR. Esses achados contrariam a expectativa inicial de que a substituição por um detector digital acoplado a um sistema analógico pudesse reduzir o ruído em relação às placas de fósforo fotoestimulável. Embora o Retrofit traga vantagens operacionais, como eliminação da etapa de leitura em digitalizador e integração digital direta, os valores de NNPS indicam desempenho inferior em termos de ruído. Considerando que a presença de ruído elevado pode dificultar a visualização de massas tumorais e outras estruturas mamárias de baixo contraste, o impacto clínico desse resultado não deve ser negligenciado. Conclui-se que o CR apresentou menor ruído em todas as condições analisadas, enquanto o Retrofit DR mostrou valores mais elevados, mesmo em frequências espaciais diferentes. Dessa forma, a decisão de adotar o Retrofit deve considerar não apenas os ganhos práticos, mas também os possíveis prejuízos à qualidade da imagem mamográfica. Estudos adicionais são necessários para verificar se ajustes de calibração, modificações nos parâmetros de aquisição ou a aplicação de algoritmos de pós-processamento podem alterar esses efeitos e melhorar o desempenho do Retrofit DR em aplicações clínicas.



