Resumo Comparação do Ruído em Sistemas de Mamografia CR e Retrofit DR Usando o Espectro de Potência de Ruído Normalizado

Autores

  • Laila Fernanda Moreira de Almeida Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear
  • Elaine Rodrigues Leite Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear
  • Flavia Adriana dos Reis Silva Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais
  • Gerusa Karla de Oliveira Silva Hospital Orizonti
  • Rafaella Marina Souza Gomes Lopes de Oliveira Hospital Orizonti
  • Maria do Socorro Nogueira Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear

DOI:

https://doi.org/10.70745/bjrtr.v2.148

Palavras-chave:

Mamografia; Ruído; Retrofit.

Resumo

A qualidade da imagem mamográfica é determinante para a detecção precoce do câncer de mama, e o ruído é um dos principais fatores que podem comprometer a visibilidade de estruturas de baixo contraste, como de massas tumorais, reduzindo a eficácia diagnóstica [1]. Entre os sistemas de aquisição mais utilizados estão o de Radiografia Computadorizada (CR) e o Retrofit Digital (DR), que representam adaptações à tecnologia analógica de mamografia [2,3]. Com o avanço das soluções digitais, espera-se que novas implementações como o Retrofit DR tragam benefícios quanto à qualidade da imagem, incluindo a possível redução do ruído. No entanto, é necessário avaliar objetivamente se esse ganho ocorre na prática. Para isso, o presente estudo utilizou o Espectro de Potência de Ruído Normalizado (NNPS), uma métrica capaz de descrever a distribuição da energia do ruído em diferentes frequências espaciais e comparar de forma analítica o desempenho dos dois sistemas [4]. O experimento foi conduzido seguindo os protocolos EUREF e Espanhol [5,6], utilizando imagens de campo uniforme em formato para processamento (Raw Data). Foram realizados testes de linearidade e função de resposta do detector, selecionando-se para análise a imagem correspondente a um kerma no ar de aproximadamente 100 μGy. As aquisições foram feitas em dois sistemas distintos: um sistema CR da Carestream, baseado em material de fósforo fotoestimulável, e um Retrofit DR da Shimadzu, com detector digital indireto de iodeto de césio [3]. As imagens foram processadas no software ImageJ por meio do plugin COQ, e em cada caso foi definida uma região de interesse (ROI) central de 50 × 50 mm [5,6]. A análise do NNPS foi realizada nas direções horizontal, vertical e radial em duas frequências espaciais representativas, 0,5 mm⁻¹ e 2,0 mm⁻¹, possibilitando avaliar o comportamento do ruído em baixas e altas frequências [5,6]. Os resultados mostraram que o CR apresentou valores de NNPS substancialmente menores quando comparado ao Retrofit DR. Para o CR, os valores médios variaram de 2,62 × 10⁻⁷ a 2,65 × 10⁻⁷ em 0,5 mm⁻¹ e de 9,50 × 10⁻⁸ a 1,11 × 10⁻⁷ em 2,0 mm⁻¹. Já no Retrofit DR, os valores foram cerca de uma ordem de grandeza superiores, entre 4,28 × 10⁻⁶ e 5,62 × 10⁻⁶ em 0,5 mm⁻¹ e de 2,01 × 10⁻⁶ a 2,30 × 10⁻⁶ em 2,0 mm⁻¹. Essa diferença se manteve em todas as direções avaliadas (horizontal, vertical e radial), indicando que o Retrofit, apesar de sua proposta de modernização tecnológica, apresentou maior nível de ruído do que o sistema CR. Esses achados contrariam a expectativa inicial de que a substituição por um detector digital acoplado a um sistema analógico pudesse reduzir o ruído em relação às placas de fósforo fotoestimulável. Embora o Retrofit traga vantagens operacionais, como eliminação da etapa de leitura em digitalizador e integração digital direta, os valores de NNPS indicam desempenho inferior em termos de ruído. Considerando que a presença de ruído elevado pode dificultar a visualização de massas tumorais e outras estruturas mamárias de baixo contraste, o impacto clínico desse resultado não deve ser negligenciado. Conclui-se que o CR apresentou menor ruído em todas as condições analisadas, enquanto o Retrofit DR mostrou valores mais elevados, mesmo em frequências espaciais diferentes. Dessa forma, a decisão de adotar o Retrofit deve considerar não apenas os ganhos práticos, mas também os possíveis prejuízos à qualidade da imagem mamográfica. Estudos adicionais são necessários para verificar se ajustes de calibração, modificações nos parâmetros de aquisição ou a aplicação de algoritmos de pós-processamento podem alterar esses efeitos e melhorar o desempenho do Retrofit DR em aplicações clínicas.

Biografia do Autor

Elaine Rodrigues Leite, Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear

Graduada em Tecnologia em Radiologia pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com conclusão em 2022, também possui formação em Administração de Empresas pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC Minas), concluída em 2013. Mestre em Ciência e Tecnologia das Radiações, Minerais e Materiais no Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN), onde desenvolveu uma pesquisa voltada à avaliação comparativa das eficiências quântica e dosimétrica entre os sistemas de mamografia digital direto e retrofit, com foco na qualidade da imagem e na segurança radiológica.

Flavia Adriana dos Reis Silva, Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais

Possui graduação em Tecnologia em Radiologia pelo Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (2004), especialização em Proteção Radiológica pela FUMEC, possui mestrado e é doutoranda em Ciência e Tecnologia das Radiações, Minerais e Materiais pelo Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear. Servidora pública estadual, atua na Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais, diretamente na Vigilância Sanitária, na área de Radioproteção, como especialista em políticas e gestão da saúde e coordenadora do Programa Estadual de Controle da Qualidade em Mamografia do estado de Minas Gerais (PECQMamo). Leciona no curso Superior de Tecnologia em Radiologia da FACSETE. Tem experiência na área de controle de qualidade em radiodiagnóstico e Saúde Coletiva, com ênfase em Radiologia Médica. 

Gerusa Karla de Oliveira Silva, Hospital Orizonti

Técnica e Tecnóloga em Radiologia. Cofundadora da AG Mama, que oferece consultoria e capacitação na área de mamografia. Atua como técnica em Mamografia no Hospital Orizonti e no Instituto Oncológico Ciências Médicas. Possui 20 anos de experiência em mamografia.

Rafaella Marina Souza Gomes Lopes de Oliveira, Hospital Orizonti

Técnica em radiologia pela Escola Novo Rumo e Tecnóloga em radiologia pela Faculdade Ipemed. Atua como técnica em Mamografia no Hospital Orizonti e no Instituto Oncológico Ciências Médicas. Atua há 12 anos realizando exames de mamografia, tomossintese e procedimentos feitos pela extereotaxia. Palestrante.

Maria do Socorro Nogueira, Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear

Possui graduação em Física pela Universidade Federal do Piauí (1987), mestrado em Física Aplicada À Medicina e Biologia pela Universidade de São Paulo (1991) e doutorado em Tecnologia Nuclear pelo Instituto de Pesquisa Energéticas Nucleares (1997). Atualmente é ativo permanente do Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear, outro (pesquisador) da Comissão Nacional de Energia Nuclear e pesquisador - orientadora da PG - Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear. Tem experiência na área de Física, com ênfase em Física Médica, atuando principalmente nos seguintes temas: dosimetria, radioproteção, controle de qualidade em mamografia, raios x diagnóstico e fisica médica.

Publicado

12-03-2026

Como Citar

Moreira de Almeida, L. F., Rodrigues Leite, E., Adriana dos Reis Silva, F., Karla de Oliveira Silva, G., Marina Souza Gomes Lopes de Oliveira, R., & do Socorro Nogueira, M. (2026). Resumo Comparação do Ruído em Sistemas de Mamografia CR e Retrofit DR Usando o Espectro de Potência de Ruído Normalizado . Brazilian Journal of Radiation Technology Research (ISSN 2966-4292), 2(01). https://doi.org/10.70745/bjrtr.v2.148

Edição

Seção

Resumos do Congresso Nacional de Radiologia